Vida pública, vida privada: traição, briga e separação? O D12News não é consultório de casal
Nos últimos dias, o D12News recebeu uma quantidade considerável de mensagens, comentários e “informações” sobre a vida pessoal de agentes públicos. Vieram relatos de supostas crises conjugais, possíveis traições, discussões, ofensas e até rumores sobre separação, dentre outras coisas mais graves.
Tudo isso chegou à redação acompanhado, em alguns casos, daquele velho ingrediente que costuma movimentar grupos de WhatsApp: “me disseram que...”.
Mas existe uma diferença importante entre aquilo que rende assunto na roda de conversa e aquilo que merece virar notícia.
O D12News faz jornalismo.
Não somos investigadores de relacionamento, conselheiros matrimoniais, muito menos plantão de fofoca. Nosso compromisso editorial é com o interesse público, com o cidadão e, principalmente, com aquilo que envolve a administração pública, o dinheiro do contribuinte, a prestação de serviços, a fiscalização dos agentes públicos e os fatos que tenham relevância para a sociedade.
É evidente que pessoas que ocupam cargos públicos estão sujeitas a maior exposição. Isso, porém, não significa que suas vidas particulares estejam automaticamente autorizadas a virar conteúdo jornalístico. Ser presidente, governador ou prefeito, secretário, vereador ou qualquer outro agente público não transforma casamento, namoro, briga de casal ou eventual crise familiar em patrimônio público.
Por isso, quando chegam à redação informações sobre supostas traições, separações ou desentendimentos conjugais, a pergunta é simples: qual é o interesse público nisso?
Se não houver interesse público, não há notícia.
E quando não há provas, documentos, registros oficiais ou elementos concretos que sustentem uma acusação, o D12News também não vai transformar rumor em manchete. Jornalismo não pode ser baseado em “ouvi dizer”.
Uma acusação sobre traição, ofensa pessoal ou qualquer outro comportamento dentro de uma relação pode atingir diretamente a honra, a imagem e a dignidade das pessoas envolvidas. Por isso, não basta alguém mandar uma mensagem para a redação dizendo que “sabe de uma coisa”. É preciso comprovar.
Não há, portanto, espaço neste veículo para publicar especulações como se fossem fatos. Tampouco vamos utilizar um ato administrativo como pretexto para investigar ou alimentar teorias sobre a intimidade de quem quer que seja.
O leitor do D12News merece informação apurada, não uma novela criada a partir de mensagens anônimas, com base no que pensam e querem adversários políticos.
Isso não significa que o site vai ignorar situações graves envolvendo agentes públicos.
Ao contrário.
Caso uma questão de natureza familiar ultrapasse os limites da esfera privada e envolva agressão física, violência doméstica, assédio, violência emocional ou psicológica, especialmente quando houver registros oficiais, Boletim de Ocorrência, investigação, decisão judicial ou outros elementos que permitam uma apuração responsável, o assunto poderá, sim, se tornar notícia.
A diferença está justamente aí: não é a vida íntima que interessa, mas eventual fato que possa configurar violência, crime, abuso ou outra situação de relevante interesse público.
Nesses casos, jornalismo não é fofoca. É responsabilidade social.
O D12News escolhe a notícia, não o fuxico
Há veículos e colunistas especializados em celebridades, relacionamentos e vida privada. Leo Dias e tantos outros que me perdoem, mas essa pauta deixo para vocês.
Aqui, a conversa é outra.
No D12News, o foco está no cidadão que paga impostos, nas decisões tomadas pelo poder público, nos serviços que deveriam ser prestados, nos contratos, nas licitações, nas obras, na saúde, na educação, na segurança e na fiscalização de quem ocupa função pública.
É claro que uma boa fofoca pode render muitos cliques. Mas nem todo clique vale uma notícia. E, convenhamos, se alguém “pulou a cerca”, isso é problema para ser resolvido dentro de casa. A redação do D12News não tem cerca, portão ou chave reserva para entrar no quintal alheio.
Nosso papel é outro.
Se houver dinheiro público envolvido, interesse coletivo ou suspeita de irregularidade, estaremos lá. Se houver apenas crise de casal, a recomendação continua sendo a mais antiga e eficiente: conversem em casa.
Porque o D12News tem compromisso com a informação — não com o fuxico.